Na FEICON, IMEC ressalta que mercado ainda precisa aprender a acolher a mão de obra feminina

Representante do instituto explicou que qualificação técnica deve vir acompanhada da conscientização corporativa e suporte para as mulheres do setor

O mercado ainda precisa aprender como acolher as mulheres na construção civil, segundo a executiva de operações Instituto Mulher em Construção (IMEC), Camila Alhadeff. Ela esteve com um grupo de profissionais formadas pela organização na Arena de Influenciadores, que foi realizada durante a FEICON, maior feira do setor na América Latina, que termina nesta sexta, em São Paulo.

O IMEC é uma iniciativa que surgiu para apoiar mulheres oferecendo oportunidade de gerarem renda e conquistarem independência financeira. “Começamos ensinando elas a realizarem reparos em suas próprias casas e, gradualmente, transformamos essa habilidade em uma profissão viável”, explica a representante.

Além de capacitação, Camilia diz que a iniciativa também atua no desenvolvimento emocional e no suporte integral às alunas. Outro pilar do trabalho é a conscientização do mercado, especialmente de homens e empresas. “A cliente que abre a porta de casa sente-se mais confortável e segura ao receber outra mulher para realizar o reparo. Isso abre um espaço gigantesco para serviços de assistência técnica e manutenção domiciliar”, relata.

Transformações

Em 2024, o instituto, que foi fundado em 2006 por Bia Kern, mobilizou doações para recuperar moradias de famílias atingidas pelas enchentes em Canoas. O grupo também ofereceu cursos gratuitos para que moradoras e moradores da cidade pudessem reconstruir seus próprios lares e se apoiar mutuamente. “Por conta dessa ação, hoje temos como meta formar 60 novas profissionais para suprir a alta demanda por reconstrução e infraestrutura na região”.

Durante o evento, Verônica Martins, que estava na plateia, compartilhou sua experiência com o IMEC. Ela fez o curso de eletrotécnica, e posteriormente, especializou-se em manutenção civil e material rodante. Atualmente, ela trabalha como técnica no metrô, cuidando da parte elétrica dos trens. “Eu tive muitos incentivos, mas também muita oposição no início. Porém, até mesmo os negativos [machismo] servem de combustível, para vocês provarem que são capazes”, expressou.

A engenheira civil e influenciadora, Iza Valadão, curadora da Arena de Influenciadores da FEICON 2026, diz que se surpreendeu positivamente com a repercussão do espaço. segundo ela, a programação contou com mais de 50 influenciadores e a geração de mais de 30 horas de conteúdo, atraindo um público diverso e qualificado.