FEICON amplia presença feminina na construção civil e destaca iniciativa que capacita mulheres em situação de vulnerabilidade

FEICON amplia presença feminina na construção civil e destaca iniciativa que capacita mulheres em situação de vulnerabilidade

Instituto Mulheres à Obra, em parceria com SENAI e Sebrae, aposta em formação profissional e networking para inserí-las no setor

A capacitação de mulheres em situação de vulnerabilidade para atuação na construção civil ganha espaço no setor com iniciativas estruturadas. Durante a FEICON – Feira Internacional da Construção Civil, que segue até esta sexta-feira, dia 10, no São Paulo Explo, projetos como o Instituto Mulheres à Obra evidenciam esse movimento ao estruturar a formação para atuação no setor, em parceria com o SENAI e o Sebrae.

Criado a partir de um grupo de conexões, que hoje reúne cerca de 600 profissionais da cadeia da construção civil, o projeto evolui para um modelo que conecta qualificação técnica à inserção no mercado de trabalho.

“O instituto nasce para capacitar a mão de obra de mulheres em situação de vulnerabilidade, com cursos voltados à construção civil, e encaminhá-las para o mercado de trabalho, para devolver a elas dignidade e liberdade financeira”, afirma Natalia Rico, fundadora da iniciativa.

Na FEICON, Natalia veio com um grupo de cerca de 50 mulheres e participou de um bate-papo com a embaixadora da feira, Iza Valadão, falando sobre inovação e o papel da mulher na construção civil. “O intuito é fazer networking, apreciar a feira, fazer negócios, mas mostrar para essas mulheres que elas podem, devem e merecem estar nesses lugares”, reforça.

Conexão e inserção

Antes da estruturação do instituto, o Mulheres à Obra já atuava como uma rede ativa de negócios e desenvolvimento profissional. O grupo reúne engenheiras, arquitetas, designers, lojistas, corretoras e profissionais de diferentes frentes da construção civil, com foco na geração de oportunidades por meio de conexões qualificadas.

A iniciativa promove encontros presenciais, rodadas de negócios, visitas técnicas e participação em eventos do setor, como a FEICON, criando um ambiente contínuo de troca e fortalecimento profissional.

“A construção civil é um ecossistema amplo. Quando você conecta diferentes especialidades, aumenta o potencial de geração de trabalho e de parcerias”, afirma Lívia Silveira, voluntária do projeto.

Natalia também é autora do livro Mulheres na Construção, que será lançado ainda esse ano. “É uma oportunidade de algumas mulheres contarem a sua história, deixar seu legado e inspirar outras mulheres.”

Avanço com desafios estruturais

O avanço de iniciativas como o Mulheres à Obra ocorre em paralelo à expansão da participação feminina no setor. Dados do Sinduscon-SP indicam que as mulheres ocuparam cerca de 20% das vagas formais criadas na construção civil em 2023, acima dos 14% registrados em 2022 e dos 12% em 2021. Ainda assim, representam aproximadamente 12% da força total da construção no país.

Apesar do crescimento, a presença feminina ainda enfrenta barreiras, sobretudo nas atividades de campo, onde a participação varia entre 9% e 11%.

A pintora profissional Tainara Lulu, do Esquadrão Brasilux, relata que a inserção exige adaptação e reconhecimento progressivo. “No começo existe resistência, mas à medida que o trabalho é demonstrado, a percepção muda. Hoje, já existe mais abertura para a atuação feminina”, afirma.

Esse avanço também já é percebido em posições de liderança. Para Elaine Avalos, gerente de contratos da Construtora Pacaembu, a trajetória no setor se construiu a partir da prática e da gestão no ambiente de obra.

“A construção civil exige tomada de decisão diária e gestão de pessoas. No início, é um ambiente desafiador, com predominância masculina, e é preciso conquistar credibilidade no dia a dia. Com o tempo, isso vem por meio da consistência e da entrega”, afirma.

Atualmente liderando uma equipe de 21 pessoas, com participação feminina relevante, Elaine destaca o impacto direto da diversidade nos resultados. “Lidero pessoas, não homens ou mulheres. Hoje consigo ver, na prática, que a diversidade melhora o ambiente e os resultados da obra”, conclui.