Construtoras cobram atualização de legislação para incentivo das Habitações de Interesse Social
Construtoras cobram atualização de legislação para incentivo das Habitações de Interesse Social
No segundo dia de Feiconference na FEICON, executivos da Cury e MRV debatem como o potencial construtivo e a atualização de códigos de obras ajudam a reduzir o déficit habitacional
Legislações municipais desatualizadas, falta de infraestrutura em periferias e ausência de recursos para atender famílias cuja renda está abaixo da margem para financiamento, ainda são desafios a serem superados pelo mercado de Habitações de Interesse Social, segundo porta-vozes da MRV&CO e Cury Construtora. O tema foi abordado durante a Feiconference, que acontece dentro da programação da FEICON, maior feira de construção e arquitetura da América Latina.
Atualmente, o modelo de financiamento direto via Caixa Econômica Federal e programas como o ‘Minha Casa, Minha Vida’ têm permitido o lançamento de empreendimentos mais acessíveis, com boa localização, lazer e segurança, como explica o diretor de crédito imobiliário da Cury, Ronaldo Cury De Capua.
A incorporadora especializada em habitações populares, entregou 26,3 mil apartamentos em 2025, destes, 25 mil foram por meio de programas de financiamento. O diretor também aponta uma mudança no perfil de compradores, composto agora principalmente por casais jovens, com menos de 30 anos.
Cury ressalta que a competição com construtoras de médio e alto padrão em áreas nobres tornou-se possível com o aumento do potencial construtivo. “Enquanto a média nacional permite construir duas vezes a área do terreno, em São Paulo, por exemplo, regras específicas permitem até oito vezes essa área para habitação de interesse social. Isso permite colocar mais de 2.000 unidades em terrenos onde antes caberia 500”, diz.
Barreiras legislativas
Segundo Camila Fiuza, diretora de desenvolvimento imobiliário da MRV, muitos municípios utilizam leis e códigos sanitários desatualizados, além disso, a falta de padronização sobre dimensões para os cômodos e janelas exigidas pelas cidades dificultam a oferta de moradias. “Seria impossível produzir um carro em larga escala se cada localidade exigisse uma roda ou retrovisor de tamanho diferente. O mesmo ocorre com os prédios”, explica.
Fiuza também defende que os subsídios estaduais, somados ao programa Minha Casa Minha Vida, são essenciais para viabilizar o acesso à moradia para famílias de menor renda. Ela conta que após o aumento de custos no período pós-pandemia, a empresa foi obrigada a elevar os preços repassados aos compradores, o que acabou excluindo uma parcela da população do mercado. “O auxílio governamental nos ajuda a corrigir essa lacuna, permitindo que clientes com rendas mais baixas consigam absorver esses custos e adquirir o imóvel”, comenta.
A Feiconference termina nesta quinta-feira, às 19h30, mas a programação da Feicon segue até a sexta-feira, 10, no São Paulo EXPO, das 10h às 20h.