Inteligência Artificial: ganhos e desafios técnicos para a construção
Inteligência Artificial: ganhos e desafios técnicos para a construção
Especialistas debatem como equilibrar a cultura de experimentação com a necessidade de precisão absoluta em painel da Feiconference, durante a FEICON
Durante o painel “Como a IA está redefinindo as organizações e o futuro profissional”, realizado na Feiconference, especialistas e profissionais da Construção refletiram sobre a responsabilidade técnica e o choque cultural inerentes a adoção da Inteligência Artificial em áreas como a engenharia civil, onde o erro digital pode se traduzir em falhas físicas irreversíveis. normativo.
Para André Bina Possato, Head de Data e AI no Quinto Andar, a aplicação da Inteligência Artificial nos negócios deve envolver todos os colaboradores, e não apenas de uma área restrita, visando tanto a produtividade quanto o aproveitamento da pluralidade de ideias. Possato também vê ganhos para tirar um MVP do papel. “Hoje, pensar demais é um erro, pois prototipar ficou muito barato. Agora, é possível reservar seus maiores investimentos para o que realmente precisa de excelência.”, diz o especialista.
O curador da Feiconference, Luiz Henrique Ferreira, abordou no painel qual tem sido a experiência da Inovatech Engenharia com o uso de ferramentas inteligentes. Embora reconheça o ganho de produtividade com gravadores de reunião que geram atas automaticamente, Ferreira diz que é preciso ponderar sobre a responsabilidade colocada sobre as aplicações para registros de projetos de engenharia que exigem precisão em prazos e execuções.
O diretor Sienge, Cristiano Gregorius, compartilhou a experiência da empresa na implementação da inteligência artificial nos processos de atendimento, que possibilitou que 60% dos chamados fossem resolvidos por IA. A ferramenta também ajudou a reduzir o tempo médio de espera dos clientes, elevando a produtividade interna e entregando resoluções mais ágeis.
Como desafios, Gregorius aponta uma resistência cultural e interna. “Havia um receio de que os clientes rejeitassem o atendimento automatizado, preferindo o contato humano”, conta. A equipe resolveu adotar uma estratégia gradual, testando a tecnologia com um grupo menor, de mil clientes, antes da expansão total.
Contrapondo a visão dos colegas de painel, o engenheiro Flávio Maranhão, da Intelicity, expôs que a dificuldade para os profissionais implementarem a IA na produção de projetos reside na rigidez exigida pela engenharia civil. Segundo ele, a lógica de tentativa e erro para evoluir pode custar caro para as empresas. “O planejamento deve ser exaustivo para evitar qualquer falha na execução física. Essa necessidade de esclarecer e prever todos os passos da IA antes de aplicá-la na prática torna o processo de desenho de caminhos tecnológicos muito mais lento e complexo”, argumenta.
A Feiconference acontece nos dias 8 e 9 de abril, das 10h30 às 19h30, no Pavilhão 8, durante a FEICON, considerada a principal feira de construção civil e arquitetura da América Latina, que termina no dia 10 de abril, sexta-feira.