Construção pesada no Brasil enfrenta entraves em mão de obra, sustentabilidade e logística
Especialistas debatem os principais desafios do setor durante painel na Feiconference, conferência internacional que acontece durante a FEICON
Impulsionada por novos investimentos e pela urgência em ampliar a infraestrutura no Brasil, a construção pesada enfrenta entraves estruturais na cadeia de suprimentos que desafiam a execução de novos projetos. Entre os principais obstáculos estão a escassez de mão de obra, a incorporação de práticas sustentáveis, e a logística da execução de novos projetos, fatores que combinados pressionam prazos e exigem mudanças no modelo de produção. O tema foi abordado durante o painel “Os maiores desafios da construção pesada no Brasil”, no primeiro dia da Feiconference - Conferência Internacional de Construção e Arquitetura, durante a FEICON.
Segundo Bruno Stupello, Diretor de Desenvolvimento de Projetos Estratégicos da Santos Brasil, a ausência de planejamento integrado entre obras e cadeias de suprimento já impacta a capacidade de resposta do setor, com limitações que vão desde o desenvolvimento de projetos até a execução em campo.
No setor portuário, Stupello trouxe para o debate iniciativas que auxiliam na diminuição de gases provenientes da queima de combustíveis fósseis. Dentre as soluções, o executivo comentou sobre a eletrificação de equipamentos e uso de combustíveis alternativos, como o gás natural, no porto de Santos.
A sustentabilidade também tem ganhado espaço nas obras, mas o ritmo ainda depende de uma maior integração entre indústria e engenharia. Segundo Lidiane Blank, executiva da Votorantim, análises de ciclo de vida, que consideram as emissões desde a produção dos insumos até a operação das obras, ganham espaço e ampliam o nível de exigência sobre os projetos. Segundo ela, na Europa há países que cobram das empresas um valor referente ao volume de CO2 gerado nos canteiros.
Outro desafio discutido durante o painel e que traz dificuldades para o setor é a escassez de mão de obra. A falta de profissionais, tanto na execução quanto em funções técnicas, têm levado empresas a rever estratégias, com maior adoção práticas fora da obra, como soluções industrializadas, pré-fabricação e automação de processos, novas tecnologias que também podem auxiliar do lado sustentável da construção civil, conforme indicou André Lana, executivo da Acciona, durante o painel.
Nesta quinta-feira, dia 9, a programação da Feiconference traz grandes nomes e especialistas do setor que abordarão sobre como construir negócios duradouros, a habitação de interesse social, startups e as novas soluções para a construção, entre outros temas.